Sopas frias no programa Você Bonita

Uma das comidas mais gostosas, mais reconfortantes que existem são as sopas. Cremosas, facilitam a digestão, podem aquecer ou refrescar. Aqui em casa todo dia tem sopa, fria, quente, algo para começar a refeição com graça e muitos nutrientes.

O calor já estava forte em novembro, e quando fui chamada para o programa da Carol Minhoto novamente, pensei em sopas frias com personalidade para tornar as refeições de verão gostosas e marcantes.

A sopa thai é uma releitura da Tom Kha Gai, uma sopa típica tailandesa que leva frango. A nossa é vegana, não tem nada animal. Não deixa de ser deliciosa por isto. A de papaia é outra releitura, do livro The Raw Food Revolution de Cherie Soria, a fundadora do Living Light Culinary Institute onde fiz meu curso inicial de Raw Food.  O gazpacho é uma sopa tradicional espanhola, aqui numa versão bem leve. Todas estas sopas são rápidas de fazer. Não tem desculpa para comer mal! Basta ter um liquidificador e 10 minutos para ter uma sopa aromática pronta para ser degustada!

SOPAS FRIAS NO VOCE BONITA

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Sopa Thai

Ingredientes

500 ml de leite de coco

200 ml de água

1 xícara de capim santo fresco picado

2 colher de sopa de coentro sem o talo

2 dentes de alho

1/2 colher de cha de pimenta caiena

1/2 xicara de limao espremido

1/2 colher de chá de raspa de limao

2 colheres de sopa rasa de gengibre picado

1 colher de sopa de mel ou agave (vende no Santa Luzia, Mundo Verde use pras crianças no lugar de açúcar nos bolos, doces, etc)

1/2 pimenta dedo de moça picada para a sopa

1/2 pimenta dedo de moça e manjericão pequeno ou rasgado para decorar

acertar o sal marinho e a pimenta

Preparo

1) Bater tudo e coar de preferência num pano. Colocar na geladeira. Pode servir em copinhos, fica linda!

2) no final acrescentar nos copinhos um teco de cada – pimenta dedo de moça picada e manjericão pequeno ou rasgado.

Sopa de Papaia

Preparo

2 1/2 xicaras de papaia picados

1 xícara de água

1/4 xicara de suco de laranja

1 colher de sopa de limão

1 colher de sopa de missô

1/2 colher de chá de cominho

1 pitada de pimenta caiena

sal a gosto

1/2 xícara de coentro picado

Preparo

1) Bater todos ingredientes menos o coentro no liquidificador

2) Servir a sopa imediatamente com coentro picado por cima

GAZPACHO

4 tomates em cubos

1 pepino sem casca em cubos

1/3 de xícara de manjericão

1/2 limão

1 dente de alho

1/2 colher de chá de sal marinho ou rosa

opcional – de 1/4 a 1/2 avocado

1/2 xícara de água

2 colheres de sopa de azeite de oliva

pimenta a gosto

água suficiente para dar a textura desejada

 Preparo

1) Bater tudo no liquidificador. (se desejar deixe o pepino em cubos e adicione ao servir).

2) Ajustar a água conforme a textura desejada. O avocado dá cremosidade a sopa, mas pode ser omitido.

3) Ajustar sal e se desejar pimenta do reino.

Alimentando o corpo e o coração – Brigadeiro ou Trufa de Biomassa de Banana Verde

Vivemos num mundo rapido, instantâneo onde um dos maiores prazeres se tornou “comer fora”. Nos encontramos em restaurantes para rever amigos, falar de negócios, discutir relações. Adoro um bom restaurante, passear, me arrumar, sair de casa. Mas a cada dia saio menos. São os filhos pequenos, as contas que superam a de compras de produtos frescos e saudáveis para uma semana, e claro o fato de eu amar cozinhar. E estudando gastronomia, descobri a energia pesada que rola em algumas cozinhas, para sair perfeita a massa do Sr. Fulano, tem alguém muitas vezes falando grosso do lado de dentro… Adoro os restaurantes de cozinha aberta e alegre, intuitivamente encontraram uma forma de mostrar que ali naquele local se trabalha com carinho.

Comecei um curso muito interessante que enfatiza a importância da comida feita em casa. De como incentivar as pessoas a descobrir o prazer de comprar um ingrediente e com ele fazer uma das mais antigas alquimias que é um bom prato de comida. E de cozinhar como forma de terapia, uma das mais prazerosas  que existem.

Quem não tem uma lembrança de infância de uma comida que a avó fazia, a mãe, a tia. Eu me lembro muito bem dos bolinhos de chuva que minha avó Josephina preparava, eram gordinhos e crocantes. E das comidas da minha mãe? Nossa tantas, tão gostosas, a sopa de ervilha, o pastel de camarão, o pavê inglês, o molho de macarrão, a sopa chinesa com agrião e macarrão “transparente” quando eu chegava mais de meia noite do banco. Me lembro de cena simples, como eu e meu pai comendo massa e tomando vinho na cozinha do nosso apartamento no Itaim. Era um dia comum e me lembro de ter dito ao meu pai, como era bom repartir aquela refeição com ele. E tenho imenso carinho pelas comidinhas que as meninas aqui de casa fazem. O risoto leve que Dega fez assim que saí da maternidade com o Marcelinho, a sopa de mandioquinha da Letinha, melhor sopa que já tomei.

Nunca vou me esquecer do dia em que fui a escola para uma apresentação do Marcelinho de dia das mães, era um jogo onde a professora tirava uma faixa de papel escrita com um frase que o filho tinha dito sobre a mãe e tínhamos que advinhar quem tinha escrito. Ele devia ter uns 4,  5 anos, olha a frase dele

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Pulei na hora sabendo que era ele!!! Olha a memória doce que ele vai ter. E eu então, de ver aquele menino pequeno em pé na cadeira comigo junto, aprendendo a cozinhar.

Quero ajudar a resgatar esta simplicidade da refeição preparada em casa. Com carinho. Para que os filhos, amigos, namorados e namoradas, maridos e mulheres sempre se lembrem do tempero que só quem gosta muito de alguém sabe colocar – o Amor. Não existe melhor tempero, não existe melhor coisa que doar seu tempo e sua arte por mais singela que seja a alguém que amamos.

Ainda tenho fé que um dia vou ver culinária e princípios de nutrição como matérias obrigatórias nas escolas. Ver todo mundo comendo mais comida de verdade e menos enlatados, empacotados, industrializados.

Pare um dia e faça algo inusitado, uma receita, que pode não sair perfeita na primeira vez, mas na segunda, terceira, até na quarta, quinta vai sair linda, e você vai sentir imenso orgulho daquele prato lindo, que você fez com suas mãos, seu olfato, seu paladar e seu coração.

Comece logo, tem sempre um mercado ao lado de casa, faça uma salada colorida, um doce saudável (tem tantos!!!!), um arroz colorido com legumes e um toque de gengibre e óleo de gergelim tostado (hum!).

Hoje vou dar a receita da biomassa de banana verde que fiz em casa e dos brigadeiros saudáveis que preparei com minha filha linda. Vicky já ama cozinhar, faz sorrindo, com aquelas mãos de fada que só uma criança pode ter.

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BIOMASSA DE BANANA VERDE

12 bananas da terra bem verdes

Preparo

1) Lavar bem as bananas.

2) Em uma panela grande com água fervente cozinhar as bananas até que a casca comece a abrir.

3) Vá aos poucos tirando a casca das bananas e processando-as. A polpa deve estar bem quente.

4) O resultado é a biomassa de polpa. Pode ser guardada em pote hermeticamente fechado por até 8 dias na geladeira.

5) No freezer pode ser guardada por até 3 meses mas deverá ser reprocessada antes de ser utilizada.

BRIGADEIRO OU TRUFA DE BIOMASSA DE BANANA VERDE

1/2 xícara de biomassa de banana verde

1/2 xícara de cacau em pó

1/2 xícara de leite de coco

Mel ou agave ou açúcar de coco a gosto

Cacau em pó para enrolar.

Preparo

1) Cozinhar mexendo sem parar até engrossar.

2) Deixar na geladeira por 1 dia e enrolar com as mãos untadas com óleo de coco.

3) Passar no cacau e manter na geladeira!

A sabedoria na alimentação e na vida

 

 

Na jornada em busca das verdades sobre alimentação já me deparei com muitos livros. Ajo como jornalista, investigadora mesmo. Qualquer livro de dieta novo, eu leio, pesquiso, por vezes experimento e tento entender a lógica por trás de todas as dietas.

Na busca sobre livros que tenham a palavra “Healing with Foods” descobri um antigo que me surpreendeu positivamente. Chama-se Food and Healing, escrito por Ann Marie Colbin, a fundadora do Natural Gourmet Institute em Nova York. A escola é referência em alimentação natural, uma das melhores do mundo sem dúvida.

O livro é fantástico. Não conseguiria em um post explicar todas as ótimas teorias presentes nele. Mas uma parte me pegou de jeito… Não existe uma dieta ideal para todas as pessoas. Aí está o maior erro de muitos profissionais – utilizam uma dieta padronizada porque acreditam que ela seja ideal para todos.

Na minha família analiso os vários exemplos – meu pai é super alérgico, tirar leite de vaca é como “dar um remédio” contra a alergia para ele! Ele usa queijos com moderação, mas o leite puro já foi trocado por leites de amêndoas, avelãs – a consequência foi clara – sua pele e rinite melhoraram demais. Meu filho também não tolera muito bem laticínios, e aos 6 anos de idade já diz do alto de sua sabedoria, “sei que foi o queijo que não me caiu bem”. O meu equilíbrio está nos vegetais, frutas e legumes. Como um pouco menos de proteína animal que a maioria do pessoal aqui de casa. Portanto quando fiz a dieta Dukan por 5 dias, animada para dar uma secadinha e testar a dieta da Kate, além de não ter tido resultado expressivo como a maioria das pessoas, me senti mal humorada e triste. Não vivo sem meus sucos vegetais, algumas frutas, e muitos legumes todos os dias. Tenho desejo por saladas e sopas. Sério mesmo. Por outro lado, em minhas fases de Raw Food mais sérias, sinto enorme falta de ovos. Confesso, não consigo ficar sem por muitos dias. Talvez por ter uma energia mais Yin (fria, suave e feminina), o Yang dos ovos, que são alimentos cheios de energia e potência, me faça falta.

A minha felicidade é que em setembro finalmente vou iniciar um treinamento de Coach de Saúde que contempla exatamente o que Ann Marie diz em seu livro – a bioindividualidade de cada ser é determinante para o sucesso de sua alimentação e de sua vida.

O trabalho de coach de Saúde aborda não somente a alimentação, mas todas as áreas da vida – relacionamentos, trabalho, lazer, espiritualidade. Para vivermos de forma plena não podemos ser somente uma parte, somos um todo, somos além de corpo físico, somos alma e espírito.

Ficam as dicas para melhorar sua vida imediatamente:

– Ouça seu corpo, não coma por comer. Ele vai te pedir alguns alimentos, se for doce, coma frutas secas, se tiver sede, beba água ou chás, se quiser algo crocante, coma cenouras, se precisarem ser crocantes e salgadas faça chips de vegetais no forno com sal marinho e ervas. Se precisar te potência conte com ovos, chá verde (natural, de caixinha não vale!!!) e gengibre (este aquece e conforta). Se a vontade de chocolate for enorme – tente os mais escuros e de boa qualidade, garanto que o Kinder ovo do seu filho não é exatamente “natural”

– Quando sentir uma dor de cabeça tente tomar um bom chá e descansar. Não vá correndo para os analgésicos. Dor de estômago (desta sou freguesa), faça alguns dias de alimentação suave, tome chá de espinheira santa ou erva doce. Melhoro mais com boa alimentação que com o popular omeprazol. Acalme-se! As dores muitas vezes são apenas limpezas que seu organismo está fazendo ou até sinais de que algo não vai bem na vida e na alimentação – tente entender e corrigir o que pode estar ocasionando esta dor

– Sempre bato nesta tecla, não importa a linha de alimentação que você escolher, evite ao máximo os industrializados. Fazer um chá fresco por exemplo, é só ferver água e jogar o chá que pode ser de ervas naturais, verde, maçã desidratada, frutas… e abafar por 10 minutos. E caldo de legumes em cubinhos… NÃO!!!!

– Tenha um hobby, algo que te dê prazer e aqueça seu coração. Já elegi desde pequenina a dança, e um pouco mais velha a yoga. Me sinto feliz, em harmonia comigo mesma

– Exercícios físicos, mesmo que seja somente caminhar oxigenam o corpo e liberam serotonina, neurotransmissor que regula hormônios que geram a sensação de prazer

– Sorria ao cumprimentar alguém, ao falar no telefone, seja gentil com as pessoas, dê passagem no trânsito, sinta-se GENTE e não uma máquina

– Respire fundo várias vezes ao dia

– Tenha algum tipo de espiritualidade – contato com a natureza, uma religião, reze e peça a Deus, ao universo que te abençoe e agradeça pela chance de estar vivo

E como se cumprimentam as pessoas no Sul da Asia – NAMASTÉ – o Deus que habita em mim saúda o Deus que habita em ti.

BOA SEMANA!

 

 

Grandes amigos

Estou aqui na California, fazendo um dos melhores cursos de
comida natural do mundo! Aprendendo demais e muito feliz! Mas hoje
não quero falar de comida. Já já volto e conto muitas coisas
maravilhosas e transformadoras que aprendi por aqui!

Hoje é aniversário de 40 anos do meu melhor amigo. Sempre tive várias
grandes amigas, mas grandes amigos homens são poucos, primos, irmão
e mais alguns queridos que encontrei nesta vida. Meu melhor amigo,
conheci aos 7 anos de idade na escola, passamos por muitas
histórias juntos. Tristes, alegres. Crescemos muito próximos, íamos
juntos pra escola, passamos vários finais de semana brincando no
sítio. Sempre tivemos uma grande sintonia. Ele esteve ao meu lado
quando meu pai ficou doente, depois quando minha mãe foi operada,
quando terminei meus longos namoros, eu tristíssima e ele sempre aparecia e
me apoiava. Ele advinhava, ligava do nada, aparecia… Meu irmão de
coração, ombro amigo e protetor.

Fico pensando nas minhas irmãs de coração, também tão amadas e queridas,
quantas viagens, quantas lágrimas e sorrisos dividimos juntas. Tantas alegrias,
algumas tristezas… muito carinho e admiração. Minhas irmãs vieram da
escola, do cursinho, da faculdade, de quando morei em NY, da vida.

Amigos são a família que a gente escolhe, clichê, mas perfeito. Sem
os meus, não sou inteira. Eles são pedacinhos de mim, da minha
história, do meu coração. E me vem no coração um aperto por estar
tão longe de todos meus grandes amigos e amigas.

Penso que o tempo vai passar e vamos envelhecer. Me pergunto se daqui a
40 anos estaremos todos aqui. E me dá vontade de abraçar todos eles, dizer
quanto os amo e como são importantes para mim.

E não dá para não mencionar a música que fala de amizade da maneira mais
perfeita do mundo “você é o meu amigo de fé, meu irmão camarada, amigo de
tantos caminhos e tantas jornadas… não preciso lhe dizer, tudo
isto que eu lhe digo, mas é muito bom saber que eu tenho um grande
amigo”. Hoje, meu grande amigo, esta música é para você!
Parabéns!

O ano vai começar! Vamos cozinhar?

Semana de carnaval acabou.  O ano finalmente vai começar. Para mim somente em março ele deslancha, no dia em que o sol entra no signo de Áries e astrologicamente tudo se inicia. Como ariana que sou, meu ano vira mesmo em março. Mas fevereiro é mês de organizar, planejar e sonhar com um 2012 de objetivos atingidos.

Sempre tenho o hábito de rezar e pedir para Deus, pro Universo, como preferir o leitor, sonhos que tragam respostas. E no dia 2 de janeiro acordei com uma certeza, vou realizar um grande desejo. Cozinho desde os 10, 11 anos de idade. Comida pra mim nāo é somente alimento, é e sempre foi um dos meus assuntos prediletos. Este blog surgiu com alguns intuitos, deixar a alma falar, mostrar fotos e comentários de viagens e principalmente compartilhar receitas. Tantos amigos em conversas e jantares me pediam, “Hum, me passa esta receita?”. Voltando ao sonho. Acordei com a vontade transformada em plano – vou estudar para deixar de cozinhar empiricamente, pesquisando em algum dos meus mais de 100 livros de culinária, blogs e afins e vou para a escola, aprender direitinho a manejar facas, saber as técnicas. Gosto da comidinha que faço, mas sempre dá para melhorar. E me inscrevi em um curso de Chef de Cozinha, com duração de um ano.

Cresci vendo minha mãe e minha avó paterna cozinharem. Para mim a comida feita com carinho fala. Ela conta histórias, traz lembranças, evoca sentimentos e momentos. Como boa descendente de italianos, espanhóis e sírios, povos com tradição culinária, não consigo comer qualquer coisa, sou cri cri com comida feita de qualquer maneira e sonho com temperos e aromas.

Prometo não colocar somente receitas naturebas (uma amiga me disse que vou morrer engasgada com uma semente de linhaça, tamanha a minha tendência a ortorexia, rsrsrs). Sim, vou postar as fotos das comidinhas, quem sabe vídeos. Restaurantes, buffets, estão absolutamente fora dos planos no momento. E como sonhar é sempre bom, quem sabe aulas, livros e até aparições no you tube e na TV poderão vir? Quero que meus amigos e leitores leiam as receitas, fiquem com água na boca e digam “acho que esta receita eu consigo fazer”. E quando você menos esperar, estará com um prato lindo nas mãos, de olhos fechados, sorrindo, sentindo o aroma e orgulhosamente dizendo pra si mesmo – sim, fui em quem fiz!

Beijos e até a próxima receita!

A correria dos filhos…

Ando refletindo muito sobre o que se tornou a infância. Penso na minha rotina lá atrás. Primeiras lembranças são de ir a algum parque com a minha mãe e meu irmão pela manhã, comer uma comidinha boa no almoço e ir para a tia Lilian a tarde, uma escolinha minúscula e maravilhosa. Na volta deliciosos episódios de sítio do pica pau, talvez alguma novela das 6 (nao me marcaram, com exceção de Meu Pé de Laranja Lima), banho, jantar e cama. A colcha laranja do quarto em que dormia com meu irmão nunca me saiu da cabeça. Por vezes brincávamos no térreo do prédio que só tinha uma balança. O prédio tinha muitas crianças. Foi uma infância felicíssima!

Crescemos, fomos sócios por mais de um ano do clube dos estudantes de medicina, não me lembro se era da Escola Paulista ou da Pinheiros. Eu tinha 7, 8 anos. Lá praticávamos esportes, eu nadava, e tinha uma aula divertida de ginástica. Logo depois fomos para o Paineiras, eu fazia ballet, ginástica olímpica (só fiz uns 6 meses) e natação e depois almoçava e ia para o Sao Luis. Mais para frente começaram os treinos da equipe de natação e eu tive que sair do ballet. Treinava 2h30 por dia. Ficava tão cansada. Achava puxado, mas não tinha trânsito, sabia que chegaria na escola. A tensão de hoje não existia.

Ontem fui buscar minha filhota na escola. Ela estuda até as 3h15, almoça na escola e tem 6 anos. Vi um garotinho desesperado “Para onde eu tenho que ir, garagem ou lá fora, estou preocupado, minha aula de natação é às 15h30.” Me cortou o coração, de verdade, estas crianças de 6, 7 anos cheias de atividade e já com aflição de perder a hora. Não excluo minha filha deste grupo, ela faz ballet e piano, e sim, acorda correndo, tem tempo cronometrado pra tudo. Resolvi este ano deixá-la mais solta, senti o stress infantil rondando minha casa. Ela estava arredia, chorava e ficava pensando que atividade extra teria amanhã. Não vou privá-la de aprender a tocar um instrumento, dançar, praticar um esporte, há uma linha tênue entre o excesso de atividades e a chance de desenvolver um talento ou apenas ser uma pessoa com diversas habilidades. Aproveitei todas as chances que tive na vida – dancei muito, aprendi inglês, francês, estudei muito também fora da escola.

Sempre ocupei cada janelinha de tempo do meu dia. Até hoje sou assim – fotos, joias, o blog, as crianças, o pilates, o jazz, a ginástica, cozinhar, ainda tenho o resquício da adolescência de querer abraçar o mundo. Mas às vezes dói, mesmo, nervosismo e cansaço são sinais claros da hora de desacelerar. E temos que observar nossos filhos, eles também sofrem de exaustão.

Como fotógrafa faço muitas fotos de criança, tenho de verdade um pé no mundo deles. Me sinto meio lá, meio cá. Me aproximo deles com facilidade. E com esta sensibilidade, vejo muitas vezes crianças exaustas, são aqueles que pouco sorriem, ficam de braços cruzados, se irritam por qualquer coisa. Eles estão cansados, precisando de carinho, de colo de mãe, e não de mais aulas para se tornarem grandes esportistas, ou falarem 10 línguas. São crianças que mal tem tempo de brincar…

A infância é muito curta. Com 15, 16 anos, já ficou para trás. Criança tem que correr, pintar, se sujar, correr atrás de bicho, nadar. Não tem que ir a todas as festinhas do mundo, não tem que fazer aula de toda e qualquer atividade que tiver por perto. Sou contra a maior parte dos preceitos da Mãe Tigre. Para quem não leu o Hino da Mãe Tigre, ela é uma maluca americana/chinesa que se acha a “tal” da disciplina e oprimia as filhas para elas serem grandes concertistas de piano e violino. Vale a pena ler para fazer bem diferente dela.

Exageros a parte, temos que oferecer oportunidades, dar a chance de nossos filhos serem adultos responsáveis e habilidosos, nada de deixar tudo para quando crescerem, aprender uma língua por exemplo é comprovadamente mais fácil se ela for inserida antes dos 7 anos. Mas não podemos querer competir com o vizinho para ver qual filho é mais ocupado. Outro dia em uma conversa, uma mãe despejou sobre mim as incríveis quantidades extras de atividade que suas super filhas fazem. Ela está mais para mãe tigre que eu… Não a invejo, tem muitas famílias que não tem tempo de serem felizes, porque estão todos muito ocupados. E mal percebem como é bom estar com seus filhos sem nenhuma super atividade programada.

E viva o caminho do meio… às vezes a gente sai um pouco dele, mas o importante é sempre tentar voltar. Com paciência, com harmonia, com carinho, este sim, a melhor vitamina para nossos filhos crescerem valorosos e felizes, a gente chega lá.

Esfera

Os dias passam tão rapido. Tenho vontade de agarrar o tempo com as mãos, olhá-lo bem de perto, com olhos de criança curiosa que sempre vou ter.

Fecho os olhos e sonho. Olhando este tempo, quero ver nele minha história, minha vida. Uma esfera espelhada, com fotografias de todos momentos vividos. Posso tocá-los, e então no céu se abre um lindo carrossel, e nele passeiam as pessoas daquele dia da minha vida. O sorriso doce e a pele macia da minha mãe, os olhos brilhantes e azuis do meu pai. As traquinagens do meu irmão loirinho, e eu tão sonhadora, tão a parte deste mundo terreno. A infância feliz.

Num outro momento, em outra parte da esfera, o primeiro amor, o coração disparado, a inocência da juventude… parece vinda de outra vida. Em mais um, o festival da coreografia da 8ª serie, os ensaios, a escolha das roupas, das músicas. A vitória, o eco das vozes vibrando no ginásio do colégio Sao Luis. O abraço das amigas, Ana Claudia, Ana Maria, Carola, Daniela Cury, Estela, Fru, Vivi.

A esfera roda, aumenta, esquenta, entro dentro dela. A música Babylon de David Carbonara toca. Ando pelas quadras, escadas e salas do Colégio no ano de 1987. Vejo meus amigos, ouço seus pensamentos, seus sonhos e aflições. Com muito amor beijo e abraço cada um deles, parte da minha vida.

Saio de lá e ando no tempo até a rede de volei do Guaruja. Entro no mar fresco, e subo, vôo pelo ano de 1988, 1989. Vejo tantas pessoas queridas, muitas que jamais revi, nunca soube delas. Jogo rugby nas areias geladas, dou risada e vejo outros amores daqueles tempos. Noites a beira mar, a inocência dos meus 16, 17 anos. As viagens amadas para Itaparica onde eu me sentia num paraíso.

Rapidamente vejo ao som de Roxette o ballet, o cursinho, a faculdade, mais amigos, mais emoção, mais amor, intensidade, de menina a adulta.

Em seguida, os anos de trabalho no banco, as infinitas viagens, a sensação de descobrir o mundo, desbravá-lo, sem temer, sem fraquejar. Morar sozinha em NY sem conhecer ninguém, encontrar pessoas novas, trabalhar, trabalhar. Luta para provar ao ego que o corpo e a mente são fortes. Luta para calar o coração e a alma.

Algum grito me puxa para fora da esfera. Ela perde o efeito, e eu choro, estico os braços e imploro por mais alguns momentos. No céu as nuvens se movem de maneira estranha, rápidas, algumas são espelhos também. Nelas vejo os olhos do Marcelo, o amor da minha vida, ele me chama, subo até lá e de mãos dadas olhamos a esfera do tempo. Nela vemos nosso namoro, nosso casamento, vemos o nascimento da Victoria, a emoção de tê-la em nossas vidas, a magia de nos tornarmos pai e mãe. De um momento para outro mudou tudo. A sensação de trazê-la para nosssas vidas ou foi ela quem nos trouxe para a vida dela? Seus sorrisos, sua bondade e doçura, sua imensa alegira. Já é 2006, o nascimento do Marcelinho. Mais emoção, como bate o coração. Os primeiros anos dele, suas gargalhadas tão deliciosas, seu carinho, seus abraços com os bracinhos gordos. Algumas pequenas dificuldades e as imensas alegrias.

De repente, a esfera se apaga. Acordo do sonho, um sentimento de alegria, de vida vivida invade meu coração. Uma saudades tão grande de tantos que amo e pouco vejo. Lembro da correria de todos os dias. Da falta de sossego da alma em uma cidade em que “pseudo precisamos” de tanto para viver. Vamos correndo atrás dos desejos, necessidades do corpo, da matéria. Mas nos sonhos, sempre nos sonhos, não precisamos de posses, só precisamos ser alma. Só precisamos de emoção, do coração, e podemos voar, podemos ir e vir no carrossel da vida, e nele podemos ver todos que amamos. Não há barreiras, não há transito, compromisso, não há nada nos impedindo de voar, andar, correr, dançar.

Já é tarde, hoje vou sonhar com algum momento que a esfera espelhada vai mostrar. Vou ver seres amados no meu carrossel. E vou acordar feliz, com um sorriso nos lábios, pois minha alma sabe, há muito mais coisas entre o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia.