Grandes amigos

Estou aqui na California, fazendo um dos melhores cursos de
comida natural do mundo! Aprendendo demais e muito feliz! Mas hoje
não quero falar de comida. Já já volto e conto muitas coisas
maravilhosas e transformadoras que aprendi por aqui!

Hoje é aniversário de 40 anos do meu melhor amigo. Sempre tive várias
grandes amigas, mas grandes amigos homens são poucos, primos, irmão
e mais alguns queridos que encontrei nesta vida. Meu melhor amigo,
conheci aos 7 anos de idade na escola, passamos por muitas
histórias juntos. Tristes, alegres. Crescemos muito próximos, íamos
juntos pra escola, passamos vários finais de semana brincando no
sítio. Sempre tivemos uma grande sintonia. Ele esteve ao meu lado
quando meu pai ficou doente, depois quando minha mãe foi operada,
quando terminei meus longos namoros, eu tristíssima e ele sempre aparecia e
me apoiava. Ele advinhava, ligava do nada, aparecia… Meu irmão de
coração, ombro amigo e protetor.

Fico pensando nas minhas irmãs de coração, também tão amadas e queridas,
quantas viagens, quantas lágrimas e sorrisos dividimos juntas. Tantas alegrias,
algumas tristezas… muito carinho e admiração. Minhas irmãs vieram da
escola, do cursinho, da faculdade, de quando morei em NY, da vida.

Amigos são a família que a gente escolhe, clichê, mas perfeito. Sem
os meus, não sou inteira. Eles são pedacinhos de mim, da minha
história, do meu coração. E me vem no coração um aperto por estar
tão longe de todos meus grandes amigos e amigas.

Penso que o tempo vai passar e vamos envelhecer. Me pergunto se daqui a
40 anos estaremos todos aqui. E me dá vontade de abraçar todos eles, dizer
quanto os amo e como são importantes para mim.

E não dá para não mencionar a música que fala de amizade da maneira mais
perfeita do mundo “você é o meu amigo de fé, meu irmão camarada, amigo de
tantos caminhos e tantas jornadas… não preciso lhe dizer, tudo
isto que eu lhe digo, mas é muito bom saber que eu tenho um grande
amigo”. Hoje, meu grande amigo, esta música é para você!
Parabéns!

Raw-violis de Pupunha com Queijo de Pignolis e Molho de Figos

O universo de Raw Food ou Comida Viva é imenso. São tantas as variedades e opções, as possibilidades e sabores! Confesso ter adquirido “alguns” livros . É uma confissão já que sou uma pessoa um pouco exagerada, e ao me interessar por um tema, acabo comprando todos os livros, lendo tudo que existe, fico literalmente fissurada por algum tempo. Estou descobrindo um universo rico e delicioso. Quero dividir muitas coisas com vocês, a teoria, a prática.

Acho interessante começar com as receitas que não usam desidratador. Ele é o “forno” dos raw foodies pois aquece os alimentos a baixas temperaturas evitando que as enzimas e vitaminas se dispersem como acontece com o cozimento convencional. Mas dá para fazer tantas preparações sem ele!

Para resumir a Cozinha Viva – alimentos in natura, frescos, que não são aquecidos a mais de  47℃. É uma cozinha que valoriza as propriedades naturais dos legumes, verduras, grãos, sementes e oleaginosas.

A praticidade é incrível! Em minutos você prepara pratos saborosos e saudáveis, não tem como não se apaixonar. E a felicidade em saber que o corpo ficará em ótimo estado, os olhos serão agradados pela beleza e cores desta comida tão rica e o paladar ficará super agradado!

No caso de temperos, vinagres, óleos, refinados, existe a controvérsia sobre quais ingredientes são realmente RAW e quais são processados. Eu já escolhi minha linha que será VERY RAW, ou Culinária Bem Viva, mas sem neurotizar. O que vale é melhorar o que comemos, mas sem stress!

Um ingrediente super usado nas preparações Raw é o Nutritional Yeast, uma levedura natural com leve sabor de queijo, nutricionalmente excelente não vendida no Brasil. Comprei a minha pelo site Ebay, chegou direitinho! Ela não é essencial, mas dá um gostinho bom!

Raw-violis

Imagem

Ingredientes para 2 pessoas

24 discos de palmito pupunha fresco

1 xícara de pignolis crus bem lavados e hidratados por uma hora

1 colher de sopa de Nutritional Yeast (opcional)

1 limão espremido

6 figos turcos deixados de molho em 1/2 xícara de agua por 1 hora

1/2 xícara de aceto balsâmico

amêndoas em lasca lavadas e desidratadas (ou torradas mesmo)

folhas de manjericão para decorar

sal marinho ou sal rosa do himalaia (nos melhores mercados voce encontra)

Preparo

Queijo de pignolis

Bater os pignolis, limão e nutritional yeast, sal e pimenta a gosto em um processador até que fique cremoso.

Molho de Figos

Bater os figos com a água e o aceto balsâmico, temperar com sal e pimenta a gosto.

Montagem

Colocar 6 discos de pupunha no prato, colocar uma colher de sobremesa rasa de queijo em cada uma. Cobrir com outro disco de pupunha sem apertar demais. No centro de cada ravioli colocar uma colher de molho de figos, um punhado de amendoas e folhas e manjericão rasgadas.

Os pignolis podem ser substituídos por castanha de caju crua que deve ser lavada e ficar de molho em água filtrada de 2 a 3 horas.

Mais fáci e delicioso impossível! Me contem se gostaram!

Infância Querida 2

Fiquei muito emocionada com o nascimento da querida e aguardada filha Sofia de meu primo. Minha prima passou meses em repouso e todos acompanhamos as cenas desta história. Estão as duas saudáveis e ótimas!

E me lembrei de nós primos Constantini pequenos, me lembrei de nossos apartamentos, de como era tudo tão simples e aconchegante.

Meu tio, único irmão da minha mãe, um empresário que na verdade e na essência sempre foi poeta, pintor e músico. Um homem lindo, por dentro e por fora, sofrido, sensível, com olhos penetrantes, uma pele morena, dentes muito brancos e uma  voz e gargalhadas inconfundíveis. Às vezes paro para pensar se o vi mais chorando ou sorrindo. Lembro dele sem camisa, no sítio ou no calor de Ribeirão Preto, segurando o violão tocando Chico Buarque, especialmente João e Maria, tocando Gal, Betania e Elis. Sua casa, sempre com música, frutas lindas e doces, alegre, vibrante.

Minha tia, a delicadeza em pessoa, sua voz suave, risada deliciosa, uma mulher que sempre pareceu uma flor. E teve por destino 3 filhos e 6 sobrinhos homens e de menina somente euzinha. Nunca me esqueço de um dia que ela me levou ao shopping para escolher o meu presente de Natal, eu devia ter uns 11, 12 anos. Uma bermuda branca listrada de cinza e uma blusa vermelha. Amei, jamais me esqueci do presente e ainda mais do gesto. Nas vésperas do meu casamento, ela me trouxe sais de banho para eu relaxar. Penso nela e me vêem a palavra carinho.

Minha mãe perdeu a mãe muito cedo, aos 12 anos, meu tio tinha 14. Meu avô, impulsivo e egoísta, que Deus o tenha, separou os irmãos. Deixou minha mãe na casa da Santa Sofia e Seu Magid, avós maternos, sírios, muito ternos e cuidadores. Levou meu tio para a casa dos avós italianos, Francesco e Domenica. Mais duros, mais intelectualizados. Por mais que tente, não consigo imaginar como foi a vida da pequena Vera e do pequeno Roberto após perderem sua mãe querida não poderem ficar juntos na escuridão da noite. Meu avô ainda se casou logo depois com uma mulher que não aceitava minha mãe e meu tio. Mamãe muito Polyanamente, sempre lembrando das coisas boas, mas já a vi chorar muitas vezes lembrando de sua mãe que tão cedo partira, e de como ficar longe do meu tio foi penoso. Tio Be, tantas vezes já chorou e nos fez chorar contando mil e uma histórias de sua infância e adolescência.

A vida sorriu muito para eles depois. Apesar de doenças e superações por que passaram, tiveram seus filhos e formaram 2 famílias muito unidas, tem netos, vida, vida, vida!

E hoje, com lágrimas nos olhos me lembro das nossas idas ao sítio, da piscina na frente da casa tão simples, com as bóias de borracha pretas… dos fusquinhas em que andávamos, das bicicletas que passavam de um pra outro. E me deu uma saudades imensa… uma saudades de um tempo que não volta mais, e momentos que na época eram apenas a nossa vida e que hoje são tão perfeitos em minha lembrança.

Vem João e Maria de Chico na minha cabeça, “Agora eu era o herói…”, sentia a tristeza desta música desde pequena, uma apologia a infância e inocência, hoje ela faz todo sentido, mas ela dói de maneira diferente. Dói porque minha infância não vai mais voltar… e eu não sou mais “a princesa que fiz coroar” e sim, talvez “o louco a perguntar o que é que a vida vai fazer de mim”. Saudades imensa de ser apenas, pequenina.

Em meio a sonhos

E em meio a sonhos

madrugadas acordados

e nasceres do sol

a caminho de casa,

só consigo imaginar,

quando é que vou estar

de novo adormecida em teus braços,

de novo a olhar teus olhos

e pensar…quem és tu?

Como se eu soubesse,

quem sou eu,

quem somos nós?

Quem?

Um dia,

quando eu descobrir,

prometo que serás o primeiro a saber

e entender porque somos assim,

por quê?

 

Portas da Ilusao

Abrem-se as portas

da ilusão,

e o mago que traja negro,

convida-me a sentar a mesa,

para ouvir uma canção.

 

Fala de amor,

como eu jamais vivi,

fala de dor,

como eu jamais senti.

 

E descreve uma mulher,

que dança a beira

de uma imensa fogueira…

Ela tem cabelos castanhos claros,

assim como os olhos,

de um brilho e luz raros,

e gestos firmes,

como que envoltos em paixão…

 

E uma luz eclode

em meio a multidão,

vejo que é meu rosto a cantar aquela canção,

vejo que é meu corpo a viver aquela ilusão.

 

Teu rosto também enfeita essa visão,

mal posso vê-lo,

mas posso querê-lo,

em meio ao calor incendiário,

que queima meus sonhos

e derrete minhas barreiras,

revelando emoções

tão verdadeiras,

como o amor em nossos corações.

 

E faço força para enxergar-te,

mas não consigo,

perco-te em meio a multidão,

que bate palmas e canta a nossa canção.

 

E as brumas da noite levam meu sonho,

e trazem o gelo,

da mesa em que estou com o mago de negro.

E as plumas do meu travesseiro,

me despertam como espinhos,

para contar-me que o mago existe,

que o céu está repleto de estrelas,

que se correr posso vê-las

que se quiser posso trazê-las,

para nossa história.

 

E sonho que esse sonho,

de fogueiras e estrelas,

é o cenário de uma fantasia,

de uma imensa alegria,

que chegou de um modo veloz,

que entrou dentro de nosso momento,

para nos avisar,

não corram,  não fujam,

de nada vai adiantar

vocês vão se apaixonar…

 

Nasceu romântica

Ela nasceu romântica. Desde pequena sonhava com um príncipe encantado, um conto de fadas, filhos e uma casa bonita com cheiro de pão feito na hora.

Fazia perfumes com o jasmim colhido no prédio vizinho. Uma mistura de álcool e flores guardada com carinho em algum vidro de palmito vazio. Aprendeu a cozinhar com 9 ou 10 anos, fazendo geléia de amoras num banquinho para alcançar o fogão do sítio.

Brincando, abaixava os ombros de sua camisola branca, com estampas miúdas bege e caramelo, e escondida atrás da cortina branca de vual, balançava os cabelos e sonhava com o príncipe encantado ou um forasteiro apaixonado, viagens por terras exóticas em tempos passados como nas histórias que compulsivamente lia.

Foi crescendo, feliz, mas dramática. Se apaixonava perdidamente e sofria… aos 12 anos descobriu que sabia escrever poesias lindas e românticas. Ficou famosa na escola, seus amigos todos sabiam de suas poesias, de suas paixões. Queria ser escritora, perfumista, bailarina ou estilista. Gostava de dançar sempre para alguém, e com a alma no tablado, ela bailava sempre apaixonada. Amava viajar. Desbravar fronteiras e conhecer pessoas. Desenhava suas próprias roupas desde pequena e pedia  “Mãe, vamos comprar o tecido?”. A avó achava interessante a menina sempre decidida e costurava com amor suas roupas.

Seu coração jamais esteve vazio. Como escrever, dançar ou viver sem amar? Para ela isto não acontecia.

As poesias cessaram com o tempo, a rotina e a vida corrida. Voltou a dançar, duas horas de alma e corpo unidos por semana.

Hoje, escreve alguns textos, usa perfumes comprados prontos, ainda cria alguns vestidos, compra muitos outros e mesmo sem ter tempo para usá-los, olha no armário e se lembra de como foi romântica, de que para cada vestido há um perfume apropriado, uma música de fundo, uma dança já coreografada, um beijo e um abraço especiais e um final feliz. E finalmente entende o porquê de tantos vestidos de seda e saltos altos. Uma fuga da realidade rumo aos sonhos românticos de um passado tão distante que nem parece ter sido nesta vida.

A vida dela é diferente do imaginado, porém ainda assim é bonita. Mas às vezes, tarde da noite, sentada a frente de seu computador, ela sente muita saudades de seus sonhos jamais realizados, sente saudades de poder ter sido bailarina, escritora, perfumista ou estilista, saudades dos sonhos românticos embalados por músicas de filmes de amor. E se pergunta com lágrimas nos olhos “Por que meus sonhos foram alterados pela vida”? E vai dormir, porque amanhã a realidade volta, a luta continua e os sonhos ficam guardados no coração esperando uma próxima poesia, conto ou dança para se tornarem ao menos um pouco reais.