Barrinha de Cereais ao Perfume de Laranja

Eu tenho um sonho… sim um sonho muito lindo. Um sonho onde o mundo se alimenta com calma e com serenidade. Um sonho onde é maravilhoso entrar em um restaurante e encontrar uma comida linda e saudável. Um sonho onde entro nas escolas e as cantinas só vendem alimentos naturais, smoothies ao invés de milk shakes, bolinhos saudáveis no lugar de bolos cheios de porcarias, picolés de fruta caseiros, sanduíches com pães de grãos germinados ou feitos com farinhas sem glúten saudáveis e queijos de oleaginosas ou cabra. Ok. Sonhei alto, mas vamos ver se as coisas melhoram. E para começar na nossa própria casa. Ainda tenho muito a conscientizar meus filhos. Tentei não ser radical quando eram pequenos, mas confesso que queria ter sido mais rígida em alguns aspectos. O leite. Nunca acreditei que ele fosse fundamental após o período de amamentação. Mas por falta de conhecimento ou por insegurança continuei dando ao meu filho por algum tempo. Mesmo o leite sem lactose agravava a bronquite dele. Um dia cortei. Passei a comprar somente alguns queijos de cabra, bufala e ovelha e ele mesmo nunca foi muito fã e come pouco. Nem preciso dizer que as crises de bronquite sumiram. Mas e o cálcio? Que falácia… há muitos alimentos com cálcio. Verdes escuros como brócolis, feijão, couve, algas. As crianças comem todos estes alimentos aqui em casa. Refrigerante, abomino, mas eles experimentaram um dia por outras mãos e acabaram gostando. Consomem muito pouco. Salsicha, queria nunca ter dado, mas eu mesma confesso que cachorro quente me lembra uma infância feliz. Comem em festa, vez ou outra. A regra é mais importante que a exceção. E aqui não somos mesmo radicais, o que vale é isto – ter um dia a dia saudável e não sentir culpa quando comer algo que não é exatamente saudável.

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E voltando ao sonho – Vicky quis cozinhar um dia na TV. Fomos lá. Sucesso absoluto. E voltou mais uma vez. Esta vez. E vai voltar muitas outras porque é talentosa e parte do meu sonho é mostrar ao mundo como uma criança normal pode sim se alimentar com prazer de comidas saudáveis. Sem stress, sem radicalismo. Há muitos caminhos a seguir e o nosso é muito feliz.

No programa da Carol Minhoto, o Você Bonita tenho um espaço precioso para passar a todos esta filosofia de bem viver que pratico, prego e me deixa feliz.

Vicky linda faz barrinhas de cereais para vocês. E eu muito orgulhosa digo – que prazer ver que minha palavras ecoam na vida dos meus filhos! Este legado é minha maior fortuna.

Victoria na TV no Você Bonita com um lanche especial para a volta às aulas

Tenho que contar uma história sobre a minha menina. Certa vez ganhei um cartão de Natal com uma foto de uma bebêzinha bem moreninha de franja. Parecia comigo quando pequena. Naquele momento eu sabia que teria uma menina com uma carinha bem parecida com aquela. Guardei o cartão por anos, e sempre soube que um dia teria a Victoria. Sim, já tinha escolhido até um nome para ela. Quando casei, decidimos esperar um tempinho, 1 ano, 1 ano e meio para ter filhos. E como o destino tem suas linhas muitas vezes bem definidas, a Victoria demorou 2 anos, 24 meses para decidir que queria vir. E veio a minha menina, linda, doce, de cabelos bem lisinhos, como eu pedi para Deus.

Ela diz que vai ser atriz, ou diretora de teatro, TV. Talvez cantora. Tem 9 anos. Uma vida linda pela frente. Adora cozinhar como eu. Quando foi em julho comigo no programa Você Bonita da Carol Minhoto, disse que queria voltar para fazer uma receita. E agora em janeiro, lá fomos nós. O tempo dela foi curtinho, ela esta ansiosa porque achou que não fosse conseguir terminar. Mas deu tempo sim, filha. E você tem todo o jeito do mundo para ser atriz, arrasou na receita e no vídeo.

Este muffin é excelente para a volta às aulas. Um lanche que dura horas na mala sem estragar. Quando estiver muito quente sugiro colocar bem pouco chocolate dentro. Para não derreter demais. E como ela disse no vídeo, tem proteínas, farinhas do bem, gordura saudável de coco, o cálcio e ferro do melaço. Um verdadeiro POWER MUFFIN. E a ganache, hum… de cacau com leite de côco e biomassa de banana verde. Aliás em breve um post todinho sobre ela! Fiquem de olho!

O video e a receita abaixo. Façam com seus filhos e tenham um momento delicioso na cozinha!

Muffins de banana e chocolate amargo

Ingredientes

1 xícara de farinha de aveia ou amaranto ou quinoa ou arroz integral ou um mix de farinhas

1 xícara de farinha de coco

1/2 xícara de amêndoas ou nozes ou macâdamias ou castanha do pará moídas

4 colheres de sopa de oleo de coco ou ghee (manteiga clarificada)

2 bananas grandes amassadas

6 tâmaras hidratadas (deixar de molho por uma hora)

1/2 xícara de melaço

2 ovos

1 xícara leite de aveia ou arroz ou amêndoas

1/2 xicara de água

1 colher de chá de extrato de ou 1/2 fava de baunilha

1 colher de chá de fermento

1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio

40 g de chocolate amargo picadinho ou gotas de cacau

Preparo

1) Bater bem os ovos com um fouet ou na batedeira e ligar o forno em 180° C

2) Adicionar o óleo ou ghee e continuar batendo

3) Adicionar o leite, a agua, o melaço e a baunilha

4) Misturar em uma vasilha as farinhas, nozes ou amêndoas, bicarbonato e fermento e adicionar a mistura líquida

5) Colocar as bananas amassadas, as tâmaras picadinhas, o chocolate e misturar até a mistura ficar homogênea

6) Untar uma forma de muffins ou bolo inglês com o óleo de coco ou ghee

7) Colocar na forma e assar por aproximadamente 20 minutos (quando começar a ficar firme em cima, testar com um palito para ver se está assado)

8) Retirar do forno e deixar amornar

9) Desenformar e deixar esfriar

Ganache de cacau

1/2 xícara de biomassa de banana verde

1/2 xícara de cacau em pó

1 xícara de leite de coco

1/2 xícara de mel

água se precisar para bater

Preparo

1) Bater no liquidicador

2) Cozinhar mexendo sem parar até engrossar

3) Cobrir o muffin ou recheá-lo

Alimentando o corpo e o coração – Brigadeiro ou Trufa de Biomassa de Banana Verde

Vivemos num mundo rapido, instantâneo onde um dos maiores prazeres se tornou “comer fora”. Nos encontramos em restaurantes para rever amigos, falar de negócios, discutir relações. Adoro um bom restaurante, passear, me arrumar, sair de casa. Mas a cada dia saio menos. São os filhos pequenos, as contas que superam a de compras de produtos frescos e saudáveis para uma semana, e claro o fato de eu amar cozinhar. E estudando gastronomia, descobri a energia pesada que rola em algumas cozinhas, para sair perfeita a massa do Sr. Fulano, tem alguém muitas vezes falando grosso do lado de dentro… Adoro os restaurantes de cozinha aberta e alegre, intuitivamente encontraram uma forma de mostrar que ali naquele local se trabalha com carinho.

Comecei um curso muito interessante que enfatiza a importância da comida feita em casa. De como incentivar as pessoas a descobrir o prazer de comprar um ingrediente e com ele fazer uma das mais antigas alquimias que é um bom prato de comida. E de cozinhar como forma de terapia, uma das mais prazerosas  que existem.

Quem não tem uma lembrança de infância de uma comida que a avó fazia, a mãe, a tia. Eu me lembro muito bem dos bolinhos de chuva que minha avó Josephina preparava, eram gordinhos e crocantes. E das comidas da minha mãe? Nossa tantas, tão gostosas, a sopa de ervilha, o pastel de camarão, o pavê inglês, o molho de macarrão, a sopa chinesa com agrião e macarrão “transparente” quando eu chegava mais de meia noite do banco. Me lembro de cena simples, como eu e meu pai comendo massa e tomando vinho na cozinha do nosso apartamento no Itaim. Era um dia comum e me lembro de ter dito ao meu pai, como era bom repartir aquela refeição com ele. E tenho imenso carinho pelas comidinhas que as meninas aqui de casa fazem. O risoto leve que Dega fez assim que saí da maternidade com o Marcelinho, a sopa de mandioquinha da Letinha, melhor sopa que já tomei.

Nunca vou me esquecer do dia em que fui a escola para uma apresentação do Marcelinho de dia das mães, era um jogo onde a professora tirava uma faixa de papel escrita com um frase que o filho tinha dito sobre a mãe e tínhamos que advinhar quem tinha escrito. Ele devia ter uns 4,  5 anos, olha a frase dele

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Pulei na hora sabendo que era ele!!! Olha a memória doce que ele vai ter. E eu então, de ver aquele menino pequeno em pé na cadeira comigo junto, aprendendo a cozinhar.

Quero ajudar a resgatar esta simplicidade da refeição preparada em casa. Com carinho. Para que os filhos, amigos, namorados e namoradas, maridos e mulheres sempre se lembrem do tempero que só quem gosta muito de alguém sabe colocar – o Amor. Não existe melhor tempero, não existe melhor coisa que doar seu tempo e sua arte por mais singela que seja a alguém que amamos.

Ainda tenho fé que um dia vou ver culinária e princípios de nutrição como matérias obrigatórias nas escolas. Ver todo mundo comendo mais comida de verdade e menos enlatados, empacotados, industrializados.

Pare um dia e faça algo inusitado, uma receita, que pode não sair perfeita na primeira vez, mas na segunda, terceira, até na quarta, quinta vai sair linda, e você vai sentir imenso orgulho daquele prato lindo, que você fez com suas mãos, seu olfato, seu paladar e seu coração.

Comece logo, tem sempre um mercado ao lado de casa, faça uma salada colorida, um doce saudável (tem tantos!!!!), um arroz colorido com legumes e um toque de gengibre e óleo de gergelim tostado (hum!).

Hoje vou dar a receita da biomassa de banana verde que fiz em casa e dos brigadeiros saudáveis que preparei com minha filha linda. Vicky já ama cozinhar, faz sorrindo, com aquelas mãos de fada que só uma criança pode ter.

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BIOMASSA DE BANANA VERDE

12 bananas da terra bem verdes

Preparo

1) Lavar bem as bananas.

2) Em uma panela grande com água fervente cozinhar as bananas até que a casca comece a abrir.

3) Vá aos poucos tirando a casca das bananas e processando-as. A polpa deve estar bem quente.

4) O resultado é a biomassa de polpa. Pode ser guardada em pote hermeticamente fechado por até 8 dias na geladeira.

5) No freezer pode ser guardada por até 3 meses mas deverá ser reprocessada antes de ser utilizada.

BRIGADEIRO OU TRUFA DE BIOMASSA DE BANANA VERDE

1/2 xícara de biomassa de banana verde

1/2 xícara de cacau em pó

1/2 xícara de leite de coco

Mel ou agave ou açúcar de coco a gosto

Cacau em pó para enrolar.

Preparo

1) Cozinhar mexendo sem parar até engrossar.

2) Deixar na geladeira por 1 dia e enrolar com as mãos untadas com óleo de coco.

3) Passar no cacau e manter na geladeira!

Bolo Funcional de Cacau no Programa Voce Bonita

Mais uma feliz particapação no programa Voce Bonita da querida Carol Minhoto! Um super bolo funcional de cacau, delicioso com cobertura e tudo!

Minha amiga Marcela tirou uma foto de TV bem na hora das gargalhadas!

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Link para o programa  

Este é um dos bolos favoritos da minha filhota que ama tudo que é de cacau e chocolate. Eles acharam divertidíssimo, riram sem parar e receberam um convite para voltar e apresentar uma receita.

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Bolo funcional de Cacau

3 xícaras de farinha de aveia

1 xícara de agave

1/4 xícara de óleo de coco ou girassol (diminuí a receita apresentada e funcionou super!!!)

3 colheres de sopa de linhaça de molho em 100 ml de água por 15 minutos

3/4 xícaras de cacau em pó

250 ml de agua

1 colher de sopa de fermento

MODO DE FAZER

1) Bater a linhaça com a água no liquidificador

2) Bater no liquidificador todos os ingredientes, exceto o fermento e a farinha

3) Junte a mistura a farinha e mexa até completamente incorporada

4) Coloque o fermento delicadamente

5) Coloque numa forma untada e polvilhada com o cacau

6) Leve ao forno pré aquecido a 180º C por mais ou menos 40 minutos (espete um palito e veja se sai umido, se sair deixe mais um pouco)

COBERTURA

300 gr de tofu orgânico

1/2 xícara de agave ou mel

1/2 xícara de cacau

1/4 xícara de agua

MODO DE FAZER

1) Bata todos os ingredientes no liquidificador sempre com os líquidos colocados primeiro

2) Cozinhe por 15 minutos mexendo se quiser a calda mais encorpada, senão pode usar crua mesmo

3) Cubra o bolo e reserve uma parte para colocar sobre as fatias

A correria dos filhos…

Ando refletindo muito sobre o que se tornou a infância. Penso na minha rotina lá atrás. Primeiras lembranças são de ir a algum parque com a minha mãe e meu irmão pela manhã, comer uma comidinha boa no almoço e ir para a tia Lilian a tarde, uma escolinha minúscula e maravilhosa. Na volta deliciosos episódios de sítio do pica pau, talvez alguma novela das 6 (nao me marcaram, com exceção de Meu Pé de Laranja Lima), banho, jantar e cama. A colcha laranja do quarto em que dormia com meu irmão nunca me saiu da cabeça. Por vezes brincávamos no térreo do prédio que só tinha uma balança. O prédio tinha muitas crianças. Foi uma infância felicíssima!

Crescemos, fomos sócios por mais de um ano do clube dos estudantes de medicina, não me lembro se era da Escola Paulista ou da Pinheiros. Eu tinha 7, 8 anos. Lá praticávamos esportes, eu nadava, e tinha uma aula divertida de ginástica. Logo depois fomos para o Paineiras, eu fazia ballet, ginástica olímpica (só fiz uns 6 meses) e natação e depois almoçava e ia para o Sao Luis. Mais para frente começaram os treinos da equipe de natação e eu tive que sair do ballet. Treinava 2h30 por dia. Ficava tão cansada. Achava puxado, mas não tinha trânsito, sabia que chegaria na escola. A tensão de hoje não existia.

Ontem fui buscar minha filhota na escola. Ela estuda até as 3h15, almoça na escola e tem 6 anos. Vi um garotinho desesperado “Para onde eu tenho que ir, garagem ou lá fora, estou preocupado, minha aula de natação é às 15h30.” Me cortou o coração, de verdade, estas crianças de 6, 7 anos cheias de atividade e já com aflição de perder a hora. Não excluo minha filha deste grupo, ela faz ballet e piano, e sim, acorda correndo, tem tempo cronometrado pra tudo. Resolvi este ano deixá-la mais solta, senti o stress infantil rondando minha casa. Ela estava arredia, chorava e ficava pensando que atividade extra teria amanhã. Não vou privá-la de aprender a tocar um instrumento, dançar, praticar um esporte, há uma linha tênue entre o excesso de atividades e a chance de desenvolver um talento ou apenas ser uma pessoa com diversas habilidades. Aproveitei todas as chances que tive na vida – dancei muito, aprendi inglês, francês, estudei muito também fora da escola.

Sempre ocupei cada janelinha de tempo do meu dia. Até hoje sou assim – fotos, joias, o blog, as crianças, o pilates, o jazz, a ginástica, cozinhar, ainda tenho o resquício da adolescência de querer abraçar o mundo. Mas às vezes dói, mesmo, nervosismo e cansaço são sinais claros da hora de desacelerar. E temos que observar nossos filhos, eles também sofrem de exaustão.

Como fotógrafa faço muitas fotos de criança, tenho de verdade um pé no mundo deles. Me sinto meio lá, meio cá. Me aproximo deles com facilidade. E com esta sensibilidade, vejo muitas vezes crianças exaustas, são aqueles que pouco sorriem, ficam de braços cruzados, se irritam por qualquer coisa. Eles estão cansados, precisando de carinho, de colo de mãe, e não de mais aulas para se tornarem grandes esportistas, ou falarem 10 línguas. São crianças que mal tem tempo de brincar…

A infância é muito curta. Com 15, 16 anos, já ficou para trás. Criança tem que correr, pintar, se sujar, correr atrás de bicho, nadar. Não tem que ir a todas as festinhas do mundo, não tem que fazer aula de toda e qualquer atividade que tiver por perto. Sou contra a maior parte dos preceitos da Mãe Tigre. Para quem não leu o Hino da Mãe Tigre, ela é uma maluca americana/chinesa que se acha a “tal” da disciplina e oprimia as filhas para elas serem grandes concertistas de piano e violino. Vale a pena ler para fazer bem diferente dela.

Exageros a parte, temos que oferecer oportunidades, dar a chance de nossos filhos serem adultos responsáveis e habilidosos, nada de deixar tudo para quando crescerem, aprender uma língua por exemplo é comprovadamente mais fácil se ela for inserida antes dos 7 anos. Mas não podemos querer competir com o vizinho para ver qual filho é mais ocupado. Outro dia em uma conversa, uma mãe despejou sobre mim as incríveis quantidades extras de atividade que suas super filhas fazem. Ela está mais para mãe tigre que eu… Não a invejo, tem muitas famílias que não tem tempo de serem felizes, porque estão todos muito ocupados. E mal percebem como é bom estar com seus filhos sem nenhuma super atividade programada.

E viva o caminho do meio… às vezes a gente sai um pouco dele, mas o importante é sempre tentar voltar. Com paciência, com harmonia, com carinho, este sim, a melhor vitamina para nossos filhos crescerem valorosos e felizes, a gente chega lá.

Infância querida

Meus filhos pequenos sempre me remetem a minha infância tão querida, tão cheia de rostos, vozes, momentos.

As mais antigas lembranças são do meu prédio na Rua Dr Melo Alves, da escolinha Jardim da Infância Celeste na Av. Rebouças e do sítio… na verdade uma chácara dos meus avós paternos e hoje casa dos meus pais.

E esta infância tão doce, com cheiro de jasmim e tangerina, foi simples, mas foi vivida com muita alegria, imaginação, sonhos e amigos.

Os amigos mais antigos, Luli, Paulinho, Juninho, Caio, Betinho, Estelinha. Estes nomes e rostos, marcaram minha vida, para sempre.

Os dois primeiros, filhos de um casal de amigos dos meus pais, moravam no nosso prédio, um andar abaixo. Viviam na nossa casa, depois no nosso sítio. Luli era como uma irmã mais velha a quem eu chamava de prima. Ela adorava música, me chamava de Tatunha, Tata, Tatucha, e era muito carinhosa. Um dia, indo para meu sítio com seus pais e irmão, um acidente levou sua mãe e depois de uma semana, ela se foi. Me lembro que ela partiu no momento em que eu fui ao hospital vê-la. Eu tinha 13 para 14 anos e ela 15 para 16. Foi um dos momentos mais tristes de minha vida, e dela sempre terei uma saudade imensa. Nossos papos, eu querendo descobrir coisas de menina mais velha, perguntava tudo para ela. Nosso brilho predileto, um Max Factor furta cor, seu violão, imagens tão queridas. Quando ouço Stairway to Heaven e Indios do Legiao Urbana (Assim pude trazer você de volta pra mim) vejo seu rosto, ouço sua voz. Sempre rezo por ela, e nunca esqueço seu aniversário no dia 3 de abril. A vida nos afastou de seu pai, e seu irmão. Acho que seu pai jamais superou sua morte, e não conseguia estar perto de nós, por se lembrar do acidente. Foi assim, ficamos sem eles todos, quase que de uma só vez.

Juninho, Caio e Betinho, foram colegas nossos no Jardim da Infância Celeste. Nunca mais soube deles após mudarmos de escola. Lembro de um aniversário na escola, era um dia feliz, de bolo, em que o aniversariante podia ir sem uniforme. Fui com meu super conjunto de calça, bustiê azul florido e camisa por cima. Ao imaginar aquela cena, com Juninho, Caio e Estelinha, risos e alegria, vejo minha filha… somos tão semelhantes, a mesma franja, o rosto tão parecido… Mas era a Renatinha, pequena, tão espevitada, tão cheia de energia, fazendo 5 anos.

Estelinha foi minha grande amiga por anos. Estudamos juntas no São Luis. Quando mais velhas nos perdemos de vista… e agora voltamos a nos falar pelo Facebook. Ainda vamos nos encontrar, este ano sem falta!!! Ela foi grande companheira de sítio, viu a mudança, frequentou desde pequena quando o sítio era dos meus avós e assistiu comigo a casa ser comprada pelo meu pai, ser reformada. Brincamos muito de escorregar pelos morros de terra com papelão, andar de barco no lago, nadar na piscina.

Os psicólogos afirmam que esta primeira infância é fundamental na vida de um ser humano, na formação de seu caráter e de seu emocional. Tive muita sorte. Tive pais que sempre pensaram primeiro em nós, tive um irmão para brincar comigo de lavar o banheiro rosa da mamãe e tomar banho de banheira no banheiro azul do papai, tive abraços apertados, beijos…

Hoje me deu uma baita nostalgia destes tempos. Andando de bicicleta, sentindo o vento no rosto, fechei os olhos, e por instantes sonhei com Luli, Paulinho, Juninho, Caio, Betinho, Estelinha e claro, meu querido irmão, Carlos Eduardo. Todos nós, tão pequenos, naquele tempo tão distante, mas tão vivo e colorido, tempo dos fusquinhas e seus porta malas tão disputados, tempo de bolinhos de chuva, chocolate quente.

Desejo que meus filhos tenham seus amigos de infância, e que eles não se percam pela vida, desejo que ao crescerem tenham esta mesma nostalgia de seus dias mais puros, onde brincar, correr, imaginar, era o mesmo que viver.

Durmam bem filhos, a vida passa rápido demais. Amanhã, é dia de brincar novamente. Bons sonhos!

Dicas para melhorar a alimentação das crianças

Volta as aulas, lanches, pedidos de doce e refrigerante durante a semana… Ai meu Deus!!!

As crianças testam mesmo, vão tentando até conseguir. Aqui em casa eu tento ser rígida com alguns princípios. Sou mãe de um comilão inveterado e uma menina super seletiva e que ama porcarias. A luta é bem intensa, mas eu tento, ai se tento.

Algumas dicas:

  1. Não compre o que não quer que eles comam… ou esconda. O que os olhos não vem o coração não sente.
  2. Regras claras – refrigerante só no final de semana ou em festas. E quando tem festa demais, tem que escolher em qual vai tomar. E pros gulosos como o meu filho que nao sai da festa sem bolo, só dois ou tres docinhos… Se deixar ele come uns 10!!!
  3. Tem que comer salada, pelo menos uma vez por dia.
  4. Fruta – de manha (ou suco), no almoço, se possível no lanche e no jantar. Tente, eles acabam gostando.
  5. Tente trocar parte dos carboidratos refinados pela forma integral – arroz, pão.
  6. Use quinoa – em grão ou o macarrão, também use macarrão de arroz, de milho, de farro, qualquer variação para não usar sempre produtos trigo.
  7. Ovos de codorna na salada – são um alimento altamente energético, e as crianças acham bonitinho.
  8. Sobremesa é fruta, deixe os bolos, doces para o final de semana.
  9. Incentive os sorvetes de fruta.
  10. Biscoitos, bolachas… tente o integral, caseiro, os industrializados são lotados de conservantes.
  11. Aqui em casa eles tem paixão por suco de caixinha, eu só compro de maçã e de laranja sem açúcar, mas sempre que possível, fazemos de fruta natural.
  12. Para adoçar suco de maracujá e limão, use stevia, fica ótimo e eles se acostumam. A stevia é uma planta naturalmente doce e boa para o organismo.
  13. Danoninho é alimento com corante, conservante. Tente usar iogurte caseiro com fruta – Receita de Iogurte Caseiro (1 litro de leite fresco, 1 pote de coalhada, ferva o leite e deixe abaixar a temperatura até que na pele esteja morno. Misture a coalhada, coloque num recipiente com tampa, se estiver frio, embrulhe em um cobertor e coloque no forno desligado. Se estiver calor, só colocar no forno desligado. Demora umas 12 horas).
  14. Leve as crianças a feira, mercado, deixe eles escolherem entre opções saudáveis, e para não torturar deixe eles levarem 1 guloseima para o final de semana. E entre bala e chocolate, o segundo é melhor, tem leite, cacau… e bala??? Só corante, açúcar…
  15. Para os que nao tem alergia – Nozes, amendoas, pecan, castanha do pará, castanha de caju, soja torrada, são um bom petisco para o lanche, alterne com polvilho, biscoitos integrais, pão de forma ou pão francês integral. Evite amendoins, são a menos saudável entre as oleaginosas.
  16. Use chocolate em pó organico ou até mesmo cacau em pó adoçado com mel para o leite, evite o Nescau, repleto de conservantes.
  17. Para as crianças que almoçam na escola, assegure um jantar saudável com uma salada colorida, um prato bom de carboidrato integral e proteína preparados com pouca gordura.
  18. Não frite batatas. Cozinhe elas inteiras, tire a pele, corte em palitos, espalhe azeite e sal em uma forma, role as batatas e asse até formarem uma casquinha, as crianças amam.
  19. Pastéis assados (uso a massa Mezzani) são uma variação aos fritos. Fazemos em casa uma vez por semana, de carninha moída ou queijo prato light. Pra que fritura??? Deixe para datas comemorativas.
  20. Uma ótima forma de empanar alimentos é triturar corn flakes (flocos de milho), passar o frango, carne ou peixe em uma clara de ovo batida, depois no corn flakes triturado e assar ou refogar com pouco azeite.

E para finalizar, li um livro bacana chamado Eat Clean Diet for Family and Kids (somente disponível em inglês), ele tem excelentes diretrizes alimentares para toda a família. Duro seguir todas, mas dá para seguir muitas!

Boa sorte e boa volta as aulas!