Infância querida

Meus filhos pequenos sempre me remetem a minha infância tão querida, tão cheia de rostos, vozes, momentos.

As mais antigas lembranças são do meu prédio na Rua Dr Melo Alves, da escolinha Jardim da Infância Celeste na Av. Rebouças e do sítio… na verdade uma chácara dos meus avós paternos e hoje casa dos meus pais.

E esta infância tão doce, com cheiro de jasmim e tangerina, foi simples, mas foi vivida com muita alegria, imaginação, sonhos e amigos.

Os amigos mais antigos, Luli, Paulinho, Juninho, Caio, Betinho, Estelinha. Estes nomes e rostos, marcaram minha vida, para sempre.

Os dois primeiros, filhos de um casal de amigos dos meus pais, moravam no nosso prédio, um andar abaixo. Viviam na nossa casa, depois no nosso sítio. Luli era como uma irmã mais velha a quem eu chamava de prima. Ela adorava música, me chamava de Tatunha, Tata, Tatucha, e era muito carinhosa. Um dia, indo para meu sítio com seus pais e irmão, um acidente levou sua mãe e depois de uma semana, ela se foi. Me lembro que ela partiu no momento em que eu fui ao hospital vê-la. Eu tinha 13 para 14 anos e ela 15 para 16. Foi um dos momentos mais tristes de minha vida, e dela sempre terei uma saudade imensa. Nossos papos, eu querendo descobrir coisas de menina mais velha, perguntava tudo para ela. Nosso brilho predileto, um Max Factor furta cor, seu violão, imagens tão queridas. Quando ouço Stairway to Heaven e Indios do Legiao Urbana (Assim pude trazer você de volta pra mim) vejo seu rosto, ouço sua voz. Sempre rezo por ela, e nunca esqueço seu aniversário no dia 3 de abril. A vida nos afastou de seu pai, e seu irmão. Acho que seu pai jamais superou sua morte, e não conseguia estar perto de nós, por se lembrar do acidente. Foi assim, ficamos sem eles todos, quase que de uma só vez.

Juninho, Caio e Betinho, foram colegas nossos no Jardim da Infância Celeste. Nunca mais soube deles após mudarmos de escola. Lembro de um aniversário na escola, era um dia feliz, de bolo, em que o aniversariante podia ir sem uniforme. Fui com meu super conjunto de calça, bustiê azul florido e camisa por cima. Ao imaginar aquela cena, com Juninho, Caio e Estelinha, risos e alegria, vejo minha filha… somos tão semelhantes, a mesma franja, o rosto tão parecido… Mas era a Renatinha, pequena, tão espevitada, tão cheia de energia, fazendo 5 anos.

Estelinha foi minha grande amiga por anos. Estudamos juntas no São Luis. Quando mais velhas nos perdemos de vista… e agora voltamos a nos falar pelo Facebook. Ainda vamos nos encontrar, este ano sem falta!!! Ela foi grande companheira de sítio, viu a mudança, frequentou desde pequena quando o sítio era dos meus avós e assistiu comigo a casa ser comprada pelo meu pai, ser reformada. Brincamos muito de escorregar pelos morros de terra com papelão, andar de barco no lago, nadar na piscina.

Os psicólogos afirmam que esta primeira infância é fundamental na vida de um ser humano, na formação de seu caráter e de seu emocional. Tive muita sorte. Tive pais que sempre pensaram primeiro em nós, tive um irmão para brincar comigo de lavar o banheiro rosa da mamãe e tomar banho de banheira no banheiro azul do papai, tive abraços apertados, beijos…

Hoje me deu uma baita nostalgia destes tempos. Andando de bicicleta, sentindo o vento no rosto, fechei os olhos, e por instantes sonhei com Luli, Paulinho, Juninho, Caio, Betinho, Estelinha e claro, meu querido irmão, Carlos Eduardo. Todos nós, tão pequenos, naquele tempo tão distante, mas tão vivo e colorido, tempo dos fusquinhas e seus porta malas tão disputados, tempo de bolinhos de chuva, chocolate quente.

Desejo que meus filhos tenham seus amigos de infância, e que eles não se percam pela vida, desejo que ao crescerem tenham esta mesma nostalgia de seus dias mais puros, onde brincar, correr, imaginar, era o mesmo que viver.

Durmam bem filhos, a vida passa rápido demais. Amanhã, é dia de brincar novamente. Bons sonhos!

Um comentário sobre “Infância querida

  1. Estela disse:

    Desabei a chorar! Nossa, quanta coisa nessa infância maravilhosa! A Luli também participou muito da minha vida na época do colégio! Meus pais ainda se lembram de toda família, claro. Acho que foi a minha primeira perda também! E quantas alegrias no seu sítio e na Tia Lilia! Como você lembrou do Juninho, Caio e Betinho? Muita saudade! Que delícia ler o seu texto! Adorei! Vamos nos encontrar em breve! Bjs.

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